Uso de cobertura morta no solo Vantagens e Cuidados após estabilização da cobertura

Uso de cobertura morta no solo
Vantagens e Cuidados após estabilização da cobertura

A cobertura morta nas lavouras vem trazendo vários benefícios aos produtores, pois com o uso desta técnica, a degradação do solo é reduzida, afinal, esta irá proteger o solo das adversidades climáticas, pois não ocorrerá contato direto das gotas de água das chuvas com o solo, o que proporcionará uma menor desagregação do solo, consequentemente menos erosão. Vide imagens abaixo: de um lado plantio convencional, do outro, plantio em solo com cobertura morta.

Também não ocorrerá contato direto com os raios solares, o que proporcionará uma menor amplitude térmica no solo, o que é benéfico, pois muitas culturas implantadas são afetadas pelas altas temperaturas, que são facilmente encontradas em solos desprotegidos nas épocas mais quentes do ano, podendo causar até mesmo a morte de raízes e influenciando diretamente na produtividade desses cultivos.
A utilização desta técnica pode trazer também diminuição do custo de produção, pois a cobertura morta no solo faz com que se tenha uma maior infiltração de água, como mostra o gráfico abaixo.

A retenção de água no solo também aumenta, o que ajuda a diminuir gastos com irrigação, e em lavouras de sequeiro, diminui uma possível queda de produção por estiagem. Segundo Resende, F.V.et al. esse acréscimo de  retenção de água no solo pode ser de até 2,0% em relação a um solo desprotegido. Outro ponto importante é a diminuição de gastos com controle de daninhas, pois a cobertura morta diminui a incidência destas. Ao longo do tempo também teremos um aumento na quantidade de matéria orgânica no solo, podendo assim ocorrer diminuição dos gastos com adubação.
Para implantação da cobertura morta no solo podemos usar várias plantas. As leguminosas são bastante utilizadas, pois além de produzir boa quantidade de cobertura, ainda fixam nitrogênio no solo. Sua desvantagem é a decomposição da palhada bem mais acelerada em relação às gramíneas como braquiária e milheto. Nas regiões onde ocorrem altas temperaturas (acima de 30 graus Celsius), a braquiária é bastante utilizada, justamente por se decompor em menor velocidade que as leguminosas, resultando em um solo com melhor cobertura e ainda possibilitando a integração lavoura – pecuária, pois pode ser pastejada.

Como desvantagens no uso dessa técnica, podemos apontar uma possível necessidade de maior adubação nitrogenada, pois a palhada captura N do solo para se decompor, por vezes deixando as plantas da lavoura com deficiência desse elemento (foto abaixo) e há também chance de ocorrer afloramento radicular, porém nenhuma das duas nos parecem  desvantagens relevantes dessa técnica, pois são em muito superada pelas virtudes do uso da cobertura morta.

A ViaVerde sempre busca a implantação de técnicas sustentáveis, facilitando e tornando mais rentável a sua produção.

Referência

RESENDE, Francisco Vilela et al. USO DE COBERTURA MORTA VEGETAL NO CONTROLE DA UMIDADE E TEMPERATURA DO SOLO, NA INCIDÊNCIA DE PLANTAS INVASORAS E NA PRODUÇÃO DA CENOURA EM CULTIVO DE VERÃO. Ciênc. Agrotec, Lavras, v. 29, n. 1, p.100-105, 01 fev. 2005.

BETTONI, Jean Carlos et al. Potencial alelopático de plantas de cobertura verde de inverno sobre o crescimento do porta-enxerto VR043-43. Revista Ceres, Viçosa, v. 59, n. 1, p.136-141, 01 fev. 2012.

           

FILIZOLA, Heloisa Ferreira et al. Controle dos Processos Erosivos Lineares (ravinas e voçorocas) em Áreas de Solos Arenosos. 22. ed. Jaguariúna-sp:

 

Alexandre R. da Conceição, 2011. 7 p. Disponível em: <http://www.cnpma.embrapa.br/download/circular_22.pdf>. Acesso em: 04 abr. 2017.