IMPORTÂNCIA DA TAXA DE DESMAMA EM SISTEMA DE CRIA DE PECUÁRIA DE CORTE

IMPORTÂNCIA DA TAXA DE DESMAMA EM IMPORTÂNCIA DA TAXA DE DESMAMA EM SISTEMA DE CRIA DE PECUÁRIA DE CORTE

  1. Introdução –

A pecuária de corte, não diferente dos outros segmentos da economia, é uma atividade que requer muito profissionalismo, planejamento, organização e controle para que se torne uma operação interessante.
Realidades regionais, tamanho da propriedade, disponibilidade para investimentos e qualificação da mão obra são fatores que devem ser analisados na implantação de um sistema de exploração.
A pecuária de corte comercial é estratificada em três etapas independentes, complementares e sequenciais; a cria, a recria e a engorda. A cria é caracterizada pela produção de bezerros e bezerras, tem início no período de monta das matrizes e é concluída com a desmama dos bezerros realizada anualmente.
Tradicionalmente a cria é colocada nas áreas de menor potencial produtivo e recebem poucos investimentos por parte dos produtores rurais. Não sei explicar a origem dessa conduta, mas acredito que quando bem planejada, executada e controlada, a produção de bezerros é uma atividade que responde muito a investimentos e quando bem explorada pode se tornar competitiva com as demais etapas do ciclo pecuário ou até mesmo com outros segmentos produtivos do agronegócio.
Nesse texto vamos nos concentrar na fase de cria e abordar sobre índices importantes e que possibilitam tornar a exploração eficiente e sustentável.

  1. Ciclo de produção pecuária -

Abaixo segue a figura 1, onde está apresentado o ciclo completo de um sistema convencional de produção muito utilizado no Brasil Central. O objetivo dessa ilustração é apenas apresentar as etapas de produção de um sistema de pecuária de corte convencional, não tem menor intenção de padronizar sistemas de produção. Nesse ciclo, as fêmeas matrizes são expostas à monta por um período de três meses (estação de monta) de novembro a janeiro. Dois meses após o término da estação de monta as fêmeas são palpadas e as vazias são descartadas.
Os nascimentos se concentram nos meses de agosto a novembro e a desmama 8 meses após os nascimentos, ou seja, entre abril e junho.

A recria é curta, dura 8 meses e vai de abril a novembro quando os animais entram em processo de engorda por mais 8 meses e são abatidos.

SISTEMA DE CRIA DE PECUÁRIA DE CORTE

  1. Introdução –

A pecuária de corte, não diferente dos outros segmentos da economia, é uma atividade que requer muito profissionalismo, planejamento, organização e controle para que se torne uma operação interessante.
Realidades regionais, tamanho da propriedade, disponibilidade para investimentos e qualificação da mão obra são fatores que devem ser analisados na implantação de um sistema de exploração.
A pecuária de corte comercial é estratificada em três etapas independentes, complementares e sequenciais; a cria, a recria e a engorda. A cria é caracterizada pela produção de bezerros e bezerras, tem início no período de monta das matrizes e é concluída com a desmama dos bezerros realizada anualmente.
Tradicionalmente a cria é colocada nas áreas de menor potencial produtivo e recebem poucos investimentos por parte dos produtores rurais. Não sei explicar a origem dessa conduta, mas acredito que quando bem planejada, executada e controlada, a produção de bezerros é uma atividade que responde muito a investimentos e quando bem explorada pode se tornar competitiva com as demais etapas do ciclo pecuário ou até mesmo com outros segmentos produtivos do agronegócio.
Nesse texto vamos nos concentrar na fase de cria e abordar sobre índices importantes e que possibilitam tornar a exploração eficiente e sustentável.

  1. Ciclo de produção pecuária -

Abaixo segue a figura 1, onde está apresentado o ciclo completo de um sistema convencional de produção muito utilizado no Brasil Central. O objetivo dessa ilustração é apenas apresentar as etapas de produção de um sistema de pecuária de corte convencional, não tem menor intenção de padronizar sistemas de produção. Nesse ciclo, as fêmeas matrizes são expostas à monta por um período de três meses (estação de monta) de novembro a janeiro. Dois meses após o término da estação de monta as fêmeas são palpadas e as vazias são descartadas.
Os nascimentos se concentram nos meses de agosto a novembro e a desmama 8 meses após os nascimentos, ou seja, entre abril e junho.

A recria é curta, dura 8 meses e vai de abril a novembro quando os animais entram em processo de engorda por mais 8 meses e são abatidos.

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Nesse modelo, os animais são abatidos com 24-26 meses de idade, porém é possível explorar sistemas eficientes com outros ciclos produtivos, onde animais são abatidos entre 15 e 36 meses de idade. Vários são os fatores que interferem na decisão para adoção de um sistema produtivo e quando os critérios são bem fundamentados, a execução do planejado é bem feita e o controle é criterioso, os resultados tendem a ser interessantes.
Uma característica importante da etapa da cria é que muito raramente ela tem seu ciclo encurtado. Até hoje a tecnologia não conseguiu tornar mais curto o período gestacional de fêmeas bovinas e na grande maioria dos sistemas produtivos os bezerros são desmamados com 7-8 meses de idade.
Na cria existe um fator que deve ser explorado pelo produtor e está relacionado ao tipo de cruzamento utilizado (raças). Isso varia muito de região para região, de oportunidades comerciais e do gosto pessoal do produtor e não será considerado nesse texto.

  1. Índices de produção na cria -

Considerando o que foi exposto acima, pode–se dizer que na cria a eficiência é conquistada pela quantidade de Kg de bezerros desmamados anualmente/ha. Para isso, o sistema tem que ter bom índice de prenhez, pastos de qualidade bem manejados e, se possível, utilizar o sistema de suplementação exclusiva para bezerros, “creep feeding”.

    1. TAXA DE LOTAÇÃO –

Como em qualquer outra etapa da produção comercial de bovinos, a escala é fundamental para tornar a exploração interessante. A melhor e mais eficiente maneira de aumentar a escala de produção em sistemas de pecuária de corte é explorar a intensificação das áreas de pastagens aliada ao bom manejo dessas áreas.
Por intensificação das áreas de pastagens entende-se pelo uso das técnicas que englobam, o bom manejo dos pastos, a correção química do solo e a adubação de produção das plantas forrageiras, com objetivo de permitir que essas expressem, por completo, o seu potencial produtivo dentro das limitações impostas por outros fatores determinantes de produção (água, luz, temperatura).

 

A figura 2 abaixo, mostra que apenas com o aumento da taxa de lotação, a atividade sai de uma produção anual de 88 Kg de bezerros desmamados/ha/ano (0,7 UA/ha) para 250 Kg de bezerros desmamados/ha/ano (2UA/ha) variação de 284%.
FIGURA 2 – COMPARATIVO ENTRE SISTEMAS

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    1. TAXA DE PRENHEZ -

Quando se fala em taxa de prenhez em pecuária de corte, a primeira coisa que vem à mente é a produção de bezerros. Logicamente sistemas que trabalham com bons níveis de prenhez, produzem mais bezerros e talvez esse seja o maior benefício em ser eficiente nesse quesito. No entanto, existe outro fator na cria que também é muito importante, que traz retorno a médio e longo prazo e é fundamental para a sustentabilidade da atividade, é a seleção das matrizes que compõem o rebanho.
O sistema que não busca bom índice de prenhez, não consegue realizar seleção de fêmeas para reposição, o rebanho não evolui e em pouco tempo faz com que a atividade se torne pouco interessante. Observemos a figura 3 abaixo:

FIGURA 3 – COMPARATIVO ENTRE SISTEMAS

O objetivo principal da figura 3 é mostrar que rebanhos que exploram mal a taxa de prenhez, não conseguem fazer seleção das suas fêmeas. Observando a coluna 3, onde a taxa de prenhez do rebanho é de 67%, todas as bezerras produzidas no ano têm que se tornar matrizes, o sistema não permite selecionar as melhores fêmeas.
Sistemas que tem taxas de prenhez inferiores a 80% sofrem muita pressão de seleção, a maioria das bezerras nascidas tem que ser incorporadas ao rebanho, não ocorre descarte de fêmeas ruins, nem de fêmeas com pequenos defeitos e tende a dar chance a vacas vazias.

3.2.1 CONDIÇÃO CORPORAL
Vários são os fatores que interferem na taxa de prenhez de um rebanho:

  • Fatores genéticos,
  • Fatores raciais,
  • Mineralização,
  • Cuidados sanitários.

Porém, mesmo que as fêmeas de matrizes de um projeto pecuário tenham todos os fatores acima citados controlados e estes não sejam limitadores de prenhez, a condição corporal das fêmeas é fator fundamental para buscar altos índices de prenhez em rebanhos de corte. Fêmeas que sofrem restrição alimentar tem pior desempenho reprodutivo do que fêmeas bem nutridas. A figura 4 abaixo é um resumo de um trabalho clássico da universidade da Flórida e elucida bem a importância da condição corporal em fêmeas de corte.

O sistema utilizado pelos americanos para avaliação de condição corporal de fêmeas varia 1 a 9, sendo que 1 é uma fêmea muito magra e 9 é uma fêmea obesa. A figura 3 mostra que rebanhos compostos por fêmeas com CC abaixo de 5 não fazem seleção, trabalham com intervalo entre partos longos e por isso são muito pouco rentáveis.

Abaixo seguem ilustrações e explicações para facilitar a identificação da condição corporal dos animais que compõem o rebanho

CC= 3 - magro
Início da cobertura de gordura sobre o lombo, costas e costelas.
A espinha dorsal é visível.
Os processos espinhosos da coluna podem ser identificados individualmente ao toque e podem estar visíveis.
Espaços entre os processos da coluna são pouco pronunciados.

 

CC= 4 – limite

Costelas não perceptíveis, mas a 12ª e 13 ª costelas ainda perceptíveis ao olho nu, principalmente em bovinos muito profundos e com costelas bem separadas. Os processos espinhosos transversais só podem ser identificados mediante palpação (com leve pressão).
Músculo traseiro preenchido.

CC= 5 – moderado

 As 12ª e 13ª costelas são cobertas e não visíveis. 
Processos espinhosos só podem ser sentidos com firme pressão. Espaços entre os processos não visíveis e apenas distinguível com pressão firme.
Áreas no pé do rabo estão bem preenchidas. CC= 6 – bom
Costelas totalmente cobertas, não perceptíveis ao olho nú. Musculo traseiro gordo e cheio. 
Gordura perceptível nas costas e no pé do rabo.
Necessidade de pressão  firme para sentir processos transversais


   3.3. SUPLEMENTAÇÃO EXCLUSIVA DE BEZERROS –  “CREEP FEEDING” 

Outro fator muito importante e que deve ser alvo de sistema de cria em bovinos de corte é o peso de desmama dos bezerros. Hoje é sabido que a condição corporal das matrizes durante todo o período gestacional interfere decisivamente no peso de desmama dos bezerros e também no peso de abate dos animais. O desempenho da cria está diretamente relacionado à condição corporal da vaca durante o período gestacional.
Após a parição, além do manejo sanitário e da boa disponibilidade de forragem para as matrizes, podemos utilizar o arraçoamento exclusivo de bezerros, “creep-feeding”. Esta tecnologia exige pequena adaptação dos cochos de suplementação mineral das matrizes, onde são instalados cochos protegidos para fornecer ração aos bezerros. O objetivo dessa suplementação é melhorar o ganho de peso dos bezerros até a desmama, com objetivo de aumentar em até 30 Kg o peso de desmama das crias.
FIGURA 4 – MODELO DE CREEP FEEDING ONDE O LIMITADOR DE ENTRADA DAS MATRIZES É FEITO PELAS TÁBUAS DE CIMA E DE BAIXO INSTALADAS NO CERCADO DE PROTEÇÃO DO COCHO.

 

     

FIGURA 5 – MODELO DE CREEP FEEDING ONDE O LIMITADOR DE ENTRADA DAS MATRIZES PELA LARGURA ENTRE AS LASCAS INSTALADAS NO CERCADO DE PROTEÇÃO DO COCHO.

Para finalizar e apresentar um resumo numérico de tudo o que foi citado acima, vamos analisar a tabela apresentada na figura 6 abaixo. As duas primeiras colunas foram copiadas da tabela apresentada na figura 2 desse texto, e têm como variável apenas a taxa de lotação.
As demais colunas tiveram a taxa lotação fixada em 2 UA/ha e as variáveis passaram a ser taxa de prenhez e peso de desmama dos bezerros. Na coluna 3 taxa de prenhez de 85% e peso de desmama de 240 Kg e na coluna 4 taxa de prenhez de 90% e peso de desmama de 280 Kg.
Como podemos observar, um sistema de cria com baixo investimento em tecnologia (coluna 0 em amarelo), retornam pouco ao produtor e tem desempenho pífio quando comparados com sistemas muito eficientes, envolvidos com alta tecnologia de produção.
FIGURA 6 – SENSIBILIDADE À RESPOSTA AO INVESTIMENTO EM TECNOLOGIA NA ETAPA DE CRIA DA PECUÁRIA DE CORTE.

Como podemos observar acima, a colheita anual da cria pode variar de 88 para 369 Kg de bezerros/ha/ano, ou seja, uma variação da ordem de 419%. Dessa forma podemos concluir que a cria é uma atividade que responde muito à utilização de tecnologia aliada ao bom gerenciamento - que exige, planejamento, boa execução e controle dos resultados.

  1. FERTILIDADE REAL -

Existe uma formula matemática muito simples que resume tudo o que foi apresentado acima e pode ser usado como ferramenta para seleção de matrizes em rebanhos de corte. Esta fórmula é utilizada para calcular a fertilidade real da matriz ou do rebanho e tem como resultado a quantidade de Kg de bezerros produzidos anualmente por uma matriz ou pela média do rebanho.

A figura 4 abaixo cria uma situação hipotética de comparação entre matrizes e serve de orientação para utilização da fórmula de cálculo da fertilidade real.
A fêmea 1 pariu nos três anos analisados, teve um intervalo entre partos médio de 385 dias e peso de desmama médio dos bezerros de 232 Kg. A FR dessa matriz é 220 Kg de bezerros por ano.
A fêmea 2 pariu nos três anos analisados, teve um intervalo entre partos médio de 410 dias e peso de desmama médio dos bezerros de 297 Kg. A FR dessa matriz é 264 Kg de bezerros por ano.
A fêmea 3 pariu nos três anos analisados, teve um intervalo entre partos médio de 355 dias e peso de desmama médio dos bezerros de 162 Kg. A FR dessa matriz é 166 Kg de bezerros por ano.
Se esse critério for utilizado como uma das ferramentas para seleção de matrizes em rebanhos comerciais de bovinos de corte, a fêmea 3 embora tenha um intervalo entre partos curto - 355 dias, tem baixa habilidade maternal, desmama mal seus bezerros e por isso tem a FR mais baixa entre as três matrizes analisadas.
FIGURA 7 – COMPARATIVO DA FERTILIDADE DE REAL ENTRE 3 MATRIZES DE UM MESMO REBANHO (HIPOTÉTICO).

     5 CONCLUSÃO - 

Embasado na apresentação acima, podemos concluir que a atividade de cria na bovinocultura de corte é uma exploração extremamente técnica, cheia de detalhes, exige dedicação, acompanhamento e muita anotação. Já faz tempo que esta não é uma atividade que deve ser relegada às piores áreas de produção da propriedade. CRIA COM BAIXA EFICIÊNCIA NÃO RETORNA LUCRO PARA O PRODUTOR!!!!!

ENG. AGR. RENATO VIANNA PERES