Adubação do cafeeiro: nitrogênio si, pero no mucho!


Autor: Guilherme Juliano Braga da Rosa  


O Nitrogênio é o elemento mais extraído pelo cafeeiro e o segundo mais exportado pelas colheitas, ficando logo atrás do potássio. Segundo Garcia, cada saca de café extrai 2,58 kg de nitrogênio que ficam assim divididos: 55% nos grãos e 45% na casca. Um hectare de café pode conter mais de 300 kg de nitrogênio apenas nas plantas (raízes, parte aérea + frutos).



As doses de fertilizantes nitrogenados comumente aplicados a cafezais de alta produtividade situam-se entre 250 kg/ha em anos de safra baixa até 450 kg/ha em anos de safra alta. Estes valores estão amparados nas recomendações do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), Fundação PROCAFÉ e Comissão de Fertilidade do Solo do Estado de Minas Gerais (CFESMG) e frutos dos esforços de pesquisa ao longo de dezenas de anos.


Por outro lado, pouco se sabe a respeito das influências negativas do excesso de nitrogênio na planta, pois poucos são os estudos que associam altos níveis de N e aumento da severidade de doenças ou pragas.


Entretanto, algumas evidências sugerem que o desbalanço provocado pelo excesso de nitrogênio nas plantas de café podem não só torná-las mais suscetíveis às moléstias, como também, em alguns casos, reduzir sua produtividade. As hipóteses:


  • 1 - Falta de substrato para produção de compostos secundários  – a assimilação de N pela planta é um processo energeticamente “caro”: requer o dispêndio de energia e “esqueletos carbônicos”, ou seja, açúcares oriundos da fotossíntese onde o nitrogênio será incorporado para a formação do glutamato ou glutamina. Estes aminoácidos, que são algumas das primeiras substâncias orgânicas dentro da planta a incorporar o N, têm cinco carbonos.

Quando há excesso de adubação nitrogenada, uma grande quantidade de compostos com C são direcionados para a assimilação do N. Isto acaba gerando uma competição interna, sobrando menos esqueletos carbônicos para a produção de compostos secundários – fenóis, fitoalexinas e outros responsáveis pelas defesas das plantas.



  • 2 - Desbalanço hormonal – O excesso de N na planta gera um desbalanço hormonal, favorecendo o aumento da síntese de giberelinas – hormônios responsáveis pelo elongamento celular – e redução das auxinas. Isto resulta em um aumento da vegetação, muitos ramos e folhas verdes, e redução da floração ou mesmo do pegamento da florada.

Como pode se ver, em ambos os casos um programa de nutrição bem fundamentado é essencial, em que todos os nutrientes sejam fornecidos de forma equilibrada, a fim de extrair o máximo potencial das plantas, sem prejudicar seu desempenho, com economia e mantendo-as mais produtivas e tolerantes às doenças.


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